A (In) Visão da Cidade
Pelas ruas onde ando
Pelas estradas onde caminho
olhando pela janela eu busco ver o invisível…
Na estrada de terra, vejo um homem, um carro e um cavalo
Na rua de asfalto vejo um homem, uma bicicleta e um fogareiro.
Essas imagens me perturbam
um deles dirige o carro que carrega o reboque que tem o cavalo
o outro está na bicicleta com o fogareiro aceso na garupa
o movimento de um me remete ao outro
quantos elementos para além do visível
a existência poética da história destes homens
o que olha, os que são olhados
eles não se percebem
cada um dono de seu próprio universo.
Verso que faz ver-me e ver-se tão perto deles
fábulas de uma mesma raiz
o homem e o deus no próprio homem.
passageiros de toda uma existência
assim caminha a humanidade.
Vagarosamente.
Pela lente dos olhos ainda humanos
distantes do olhar de vidro sobre as mãos, esse tal de meta verso,
dedos que tentam subir ou descer imagens
enquanto o mundo lá fora precisa ser tocado
cuidado , cuidado de um , cuidado de todos.
Um olhar para o outro e apenas sorri entre si.
esse código do silêncio que grita nos meio das palavras jogadas ao vento.
Eu me entendo
Tu me percebes
Nus entendemos, sem pecado.
Original.
Moisés Chaves
Teresina, manhã de terça feira de pré carnaval 2026
alegoria sobre a solidão.


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