sou de teresina,ator e diretor de teatro formado pela escola de teatro gomes campos, e canto por que o instante existe o que me deixa um artista completo pois tambem já dancei, já fui contraregra, produtor executivo, professor de natação, diretor artistico, gerente de bar.... enfim um brasileiro que trabalha com muita dedicação no teatro e dirijo a ctc- companhia de teatro da cidade....
sexta-feira, 21 de abril de 2017
Fim da Linha
O som do apito já anuncia o fim da partida
meus olhos se voltam pro centro da terra
estou sem o cordão umbilical, estou nu
com a minha música
no palco
canto prum deserto que me cobre de sal
onde é noite o dia inteiro, sem tréguas.
Calado, escuto o silencio do escuro
a cortina se fecha, e o refletor de serviço já não acende
o aplauso de antes , dobrava esquinas
hoje volta cinco casas e revolta ao campo.
O ser tão virou apenas um mar de lágrimas.
Minha garganta apanha, quantos centavos, sem um centeio.
Já não tenho fome já não mato a sede.
já não faço planos, nem tudo planejo
nem mesmo a memória, nem mesmo a parede.
Mocha
ontem
segunda-feira, 10 de abril de 2017
Há música em mim
Mesmo em silêncio
há música em mim
Me toco quando calado
músculo que pulsa em minha garganta
Quando não falo, é voce que está em mim
Eu quase grito, fico rouco
com tua língua em meu ouvido
e em minha mão , teu instrumento
um vai e vem , que vem e vai e tanto faz
a nossa música que fazemos até mais tarde.
O pássaro da manhã que quer sair de madrugada
talvez cantar pro meu vizinho, pro mindinho e fura bolo
A sintonia que habita o meu sorriso
ao te ver dormir
ao te ver passar
Depois de te ter, sei que há música, sua música está em mim.
E quando eu canto, é tu que vibras
nossa roupas pelos cantos, pelo chão
este palco solitário, nossa cama
e quando vais , eu quase faço esta canção.
Mocha
pra lembrar de quarta-feira.
sexta-feira, 24 de março de 2017
Quanto tempo
Quanto tempo dura o rio pra chegar a próxima curva,
ele corre lento, em pura correnteza?
Quantas pedras cruzam nossos caminhos , que as vezes seguram as nossas turvas lágrimas.
Não posso precisar o tempo das coisas
como o vento que chega até o meu nariz
Apenas olho o rio que corre ao longe
como chuva na cacimba que deixa o chão tão molhado
uma terra seca que a lágrima esfria.
Como um leite quente em minhas mãos
depois de um gole de café , esse alimento em nossa varanda.
essa minha vereda de quase salvação;
A agua varre a terra estrada, e deixa molhado todo o meu caminho.
Que tempo é esse que não passa, passa devagarim
uma belezura, é quase passarim.
Uma briza que nos sopra , um cheiro de flor
mas saber espinhos.
Deixo me cortar e furo os meus dedos como há contar as horas, saber de dentro do meu próprio sangue
que escorre lá fora a todo tempo.
Eu quase choro pelo mundo, pelos imundos
e fico triste pelas mazelas que nos chegam pelas telas , pelas janelas
por todo lado, a todo momento
Quem tem tempo para chorar , para sorrir
Quem tem tempo para parar, pra ver o rio
aquele que passa em minha aldeia
e saber também da aldeia do outro, lá também tem rio
um rio de sangue, uma avalanche em país tão baixo
de homens vis que em meu país há tanto tempo roubam
Nos roubam sorrisos, querem os nossos dentes
Mas eu sigo em frente, de vez em quando paro pra ver a chuva
que neste momento, tem sabor de lembranças ao vento
Precisamos saber que depois da noite escura
vem um dia novo, uma nova vida que todos esperam.
Quem espera o tempo? Ainda tem aqueles que esperam há tempos. Tempo, tempo, tempo....Não temos tempos há Temer.
Mocha
águas de março na cacimba velha
quinta-feira, 16 de março de 2017
Cobrança.
Eu fui Adão, eu fui a Eva
Eu vi a cobra em pleno paraíso
Dos que me falam, eu nem sempre ouço
Os que não escutam, mandei as favas.
Fiquei sem roupa e perdi a linha
Ao ser expulso, ganhei o rumo
Eu tenho escolhas pois a vida é minha.
Nas mãos de Deus o cordão que guia
Na lingua dos outros, posso virar farinha
Melhor morar apenas em teus olhos
Vivermos juntos esse dia a dia.
Alguém bate a porta
eu pulo a janela
pois que venha o outro
a quem eu dedico, esta poesia.
Mocha
Manhã de março, sitio santa Rosa
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017
Salve a amizade
Eu não preciso dizer o seu nome pois todos que nos conhecem sabem de nossa ligação, e olha que já se vão quase quarenta anos que nos conhecemos. Por voce , ganhei roupa nova para sua festa de quinze anos, conheci meu primeiro namorado naquele dia enquanto os embalos de sábado a noite tomava conta da casa da Rua João Cabral, e de lá pra cá muita água já correu para o mar, estivemos juntos em quase todos os momentos de nossas vidas, desde os tempos de escola, de saída escondidas pro sitio de alguem da familia, dos tempos do trópicos, do sorvetão, do escândalo....nossa senhora, quantas histórias juntos, voce casou, teve filha, descasou, casou de novo, teve filho, viajou , voltou e nunca nos perdemos, já brigamos, discutimos, mas nunca perdemos o respeito um pelo outro, ainda hoje guardo suas cartas enviadas de Brasilia, lembro da noites em claro quando Xuxu andava com seu velocípede pelo meio da casa em plena madrugada, lembra que senti o cheiro de criança na sua casa em Brasilia antes de seu Momô nascer? Nossa confiança nunca foi quebrada, pois nunca mentimos um para o outro, já fomos duros um com o outro e já ficamos afastados por meses, voce sabe de mais coisas sobre mim do que eu mesmo as vezes esqueço, e na formatura da sua filha lá estavámos os dois chorando feito dois retardados, e as sessões de cinema? Irmã de alma é o que voce é. Nossa relação de amizade é muito forte, temos outras amizades, algumas em comum, outras não, alguns sentem ciúme de nossa história, mas mal sabem eles que voce é amiga de muitos, é agregadora, tem atitude, é porto seguro e quase todos nossos amigos e está sempre a mão quando algum de nós precisa de uma ajuda, estava do meu lado quando perdi meu pai e eu do lado seu quando o seu desencarnou, cuido de seus filhos como se fossem meus e assim fortalecemos nossos laços, estive do lado de seus filhos em momentos decisivos e importantes, mesmo quando voce não podia estar. Moramos juntos, dividimos carro , apartamento, pizza , sushi, cervejas, vinhos e whisky, estavamos juntos nos quinze anos de sua fiha e quando ela pediu o seu primeiro Hifi , tivemos tristezas .....mas sobretudo alegrias, quantas coisas boas já passamos juntos, nos shows musicais e nos espetáculos de teatro que voce produz, sei que é capaz de doar a roupa do corpo se alguém precisar. Enfim, nossa amizade sobrevive ao tempo, sabemos que nos amamos, brigamos, mas logo estamos sorrindo novamente e só queria escrever isso para agradecer todo carinho que voce tem para comigo e com minha familia também. Fizemos com que nossas mães respeitassem nossa amizade e sei que elas sabem o quanto somos amigos. Quero agradecer por salvar a vida de um de nossos cachorros, isso não tem dinheiro que pague, e se fosse falar de todas as coisas e momentos que já nos aconteceram e passamos juntos , com certeza daria um livro, mas o nosso caso de amizade é muito mais que amor, um amor em forma desta pequena e singela crônica.
Ah, antes que eu esqueça, vamos juntos a formatura de seu filho, o nosso pequeno Buda, o menino do amor higiênico.
Mocha
final de tarde de sexta feira no sitio santa rosa
domingo, 18 de dezembro de 2016
Vaso de Paixão.
Dizem por ai que vaso ruim não quebra
nem com pedra, nem com murro
Mas eu sei que ele é montanha que nunca enverga
Solitário e tão seguro, ele é porto de muito amparo.
Mas barro do que louça, já foi lama e não areia
Tão duro e tão frágil, amolece com o suor
com as lágrimas se derrete, não parece coisa pouca
esse vaso que não quebra, me deixa quase louca.
E quando ele se faz carne endurece em minhas mãos
faça frio em nosso forno, um calor que aquece a alma
De tão duro, o vaso rompe, baixa a cabeça então se encolhe
um herói que foi vencido pelo esforço que é a paixão.
Mocha ,
manhã de domingo dezembro /16 em Niterói
segunda-feira, 12 de dezembro de 2016
Ancestrais
Eu não preciso mais saber quem eu sou
já entendi ontem o que já fui outrora
o mar de longe trouxe a minha história
um navio espelho, cruzou distancias e chegou aqui.
Tanta raridade, muita força e dança
uma esperança que me diz pra ouvir
Escuto lamento, uma dor inglória
qual será a história que ainda está por vir
Encontrei as almas presas na memória
guardadas nas mãos livres de quem vê agora
dança em toda roda, contando as histórias
de meus ancestrais que ainda vivem em mim.
Mocha
Luis Correia, antiga Amarração dez/2016
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