terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Dorian....





encontrei um poema antigo
guardado entre folhas amarelas
ele nunca me pareceu tão moço
cheirando a gaveta velha

parecia ter sido escrito agora
uma petala que não se perdeu
um fruto que nunca   caiu
uma noite que nem sequer amanheceu

era um poema espelho
um retrato que não muda nunca 

uma vida  que não se viveu
foi um tempo perdido
um tempo que não se escolheu!

Moises Chaves
TEresina, jan 2013
pça saraiva....tarde que não se  ignora....

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

poema do ano novo



o dia que nunca começa 
termina no ano que nunca vai embora
tem hora de jogar coisa fora
tem dia de receber nostalgia
uma caixa de papelão que guarda a memória
uma sacola de meias mentiras guardadas na esquina

engordei meu coração de lembranças
e chorei de alegria da infancia
uma bicicleta, uma boneca ou uma caixa de lego
voltei novamente criança
e brinquei de virar cabra cego
enxerguei  com os olhos de ontem
e vi um ano novo na aurora

Não tem essa de dizer ano velho
pois no coração será sempre ano novo....


Moises Chaves
manha de natal no sitio Santa Rosa , uma terça entre a alegria e a melancolia.... imensamente feliz! 2012

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O HOMEM, A PRAÇA E O BOLO.....

para Eugenio Rêgo, da Série :A mulher, a bicicleta e o Fogareiro......



Um Homem vendia bolos
na esquina da Praça todas as manhas
Ele entregava o bolo 
e me dava o seu sorriso aberto como
a luz do sol....
Enquanto voltava pra Casa
pensava no cheiro do café esperando no fogão
Atravessava a praça como se floresta fosse
uma saraivada de emoções no silencio que gritava
enquanto a cidade ainda acordava depois do domingo
uma segunda de segundos lentos
Um despertar de cheiros de creme dental e sabonete
a água fria que molhava minha pele e aquecia minha carne
Um banho sem toalhas pra enxugar
por não ser preciso......
Subo as escadas do velho casarão
ele é meu,mas não me pertence
Ele me contém e eu estou nele contido
como convém quando muito se ama...
Este é o meu instante de celebrar o começo do dia
de partilhar o pão, esse momento café com leite
compartilhar o ritual do passar das horas
que as vezes não se percebe
tão natural ele acontece
Esse cotidiano
esse calor na emoção que refresca
esse sorriso facil ao ler o jornal
que embrulhará o peixe na manhã seguinte
Papel do papel , não da palavra
a palavra... essa fica, uma noticia que dura pra sempre....
Passa o jornal...
Mas e o Homem? A praça? e o bolo?
Esses , esses não passam
Esses se misturam e fazem mais doce o poema.....


Moisés Chaves
Manha do dia da bandeira em plena praça Saraiva em Teresina
19 de novembro de 2012

terça-feira, 6 de novembro de 2012

poema de outubro



Fiquei com cara de paisagem
olhei no calendário
todos os dias de outubro pareciam não passar
era um não dormir
era um não acordar
era um torpor, um calor que gelava a alma

Vi um rio secar sem mais espanto
queria a vida em goles frescos
um Gullar na mão e um balançar na rede 
não mais poemas
nem música havia
só poesia que não se escreve
só se vivia o tempo de esperar

De repente uma brisa
 uma janela que se abria
um Rio de braços abertos a me esperar  
 um vôo com asas, que não eram minhas
mas que pareciam minhas tamanho era o meu sonhar

agora acordo com a boa nova que vinha do outro
um voar ligeiro que leva de volta ao meu lugar.


Moises Chaves
poente do dia de todos os santos na casa de maricota Teresina 2012
   
  

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Mar de setembro....




Naveguei num barco de papel bem colorido
pisei na areia da praia e achei estava em plena lua
um vento quente refrescava  o meu sorriso
e o meu suor se parecia com o gosto do  mar!

Cheguei a ver o céu virando mar nesse encontro
um horizonte que de tão belo, me fez chorar
uma mãozinha de criança guiando o barco
me deu agulha e linha  pra eu velar   seu caminhar.

Era setembro, com suas cores e  suas portas
beira de rio, beira de mar com os pés na terra
pudera olhar o azul do céu a minha espera
entro  no barco e logo começo o meu  sonhar

Que sonho doce parecendo algodão quente
uma musica que parecia sair do mar
um mar de céu que só existe em Teresina
e uma criança que ainda me deixa acreditar.


Moisés Chaves
Tarde de setembro olhando os Barcos de Sayô, lucas e Anucha
3 de setembro de 2012

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

poema elétrico





Eu vou fazer uma cena elástica
para entender sua cabeça estética
Não vou ouvir uma canção estática
nem relembrar de uma paixão platônica

Eu quiz fazer um ie-iê romântico
pra revelar o nosso amor patético
voce bebeu e fez o maior escândalo
nem percebeu meu ar aristocrático

Eu bem tentei cruzar todo atlântico
usei assim todo arsenal ibérico
viajei em voos de helicóptero
e naveguei seu espaço cibernético

Queria agora um amor asiático
para com paciência e sem ser melodramático
pegar voce sem uma rima lógica
e sorrirmos juntos de nosso  amor tão  trágico ......

para meu amor francês....
madrugada do dia 21 de maio de 2011



sexta-feira, 10 de agosto de 2012

alcova suja....




Um poeta bebado com cheiro  de cigarro
me convida , me convence a conhecer a sua alma
calmamente intranquilo erge o copo e me olha
um sorriso do gato de alice que convida  a conhecer a sua alcova

Quero lhe sorrir e lhe dizer que não preciso
pois sua casa estava em sua própria alma
um quarto a meia luz que se mostrava em suas palavras
e o seu suor que escorria  em sua testa, lhe denunciava

Um olhar quente que dizia mais que tudo
o carro vermelho, mais vermelho que seu sangue
Uma tristeza alegre que carregava em suas costas
seria a luz que convencia a madrugada

uma despedida aconteceu sem nenhum beijo
uma vontade que não precisa tradução
toque  de mãos que pareciam ter um grude
um abraço que acalmava a solidão....

Moises Chaves
madrugada no caneleiro, beira do Rio em Teresina....