terça-feira, 21 de junho de 2016

Mocha canta RORÔ






Moisés Chaves, 35 anos de amor as artes.

Eu era apenas uma menina de 16 anos, mas que aos olhos dele era uma estrela, e ele não mediria forças pra mostrar a todos o que via em mim. Produziu shows, me levou a imprensa, aos amigos músicos da melhor qualidade, e me defendeu e defende com as garras de um superprotetor.  Há quem faça piada da nossa aliança, ache que é exagero, é loucura, paixão, e é mesmo um pouco de tudo isso. Lá se vão pra mais de 20 anos de dedicação e amizade. Em todos os meus grandes momentos ele estava ali, a postos, momentos de glória e de dor, profissional ou familiar, de graça e por amor, sempre com um sorriso no rosto, uma lagrima dramática, uma rosa na mão, uma pimenteira, uma Nossa  Senhora, um anel, amuletos e muito afeto pra me proteger e cuidar. E eu sou grata, pois ele acreditou em mim mesmo antes de qualquer reconhecimento.  E talvez isso me mantenha de pé até hoje.  Quando estou fraca, me lembro da voz dele:  “- Menina você é uma estrela. “  E volto a luta.
Mas quem faria isso? Quem é o Moisés? O que está por trás disso tudo? Eu lhes digo sem pestanejar: Um grande artista muito generoso. Só os grandes são capazes de reconhecer o talento alheio e se dedicar a ele sem medo.  Moisés Chaves é um cantor de voz forte, afinadíssimo, extremamente musical, de emoção a flor da pele, um ator entregue e passional  que vê poesia em tudo, e por todos os lados, apesar de qualquer dor e até por isso mesmo.  Parece até que vive em um mundo próprio feito de delírios poéticos.  
Moisés acorda cantando, acorda feliz, passa o café da Dona Maricota, reza, pega seu bom ônibus da Cacimba Velha e vem todos os dias doar um pouco do seu coração e do seu conhecimento.  Sim, ele sabe muitas coisas.  É dos artistas piauienses  uns dos mais engajados e defensores da cultura piauiense, me ensina sempre, sabe e ama seus poetas, músicos, fotógrafos, atores, artistas plásticos... E digo mais, Moisés é bom no que faz, Moisés é necessário para o Piauí, fundamental para os jovens dessa cidade, que prima tanto pela excelência, mas necessita muito de poesia, arte e fé nisso tudo. E  isso ele transborda.  Tai os alunos dele que não me deixam mentir.  Inúmeros jovens em quem ele deixou sua marca de amor e arte assim como em mim.
Mocha, como é chamado pelos amigos, não teme o ridículo, não foge da raia quando se trata de emoção. Se for pra chorar, ele chora, se for pra gritar ele grita, se for para fazer escândalo ele faz, e é isso que eu vejo de maravilhoso nesse artista único, sua entrega, sua intensidade. E agora com seus 35 anos de carreira comemora em grande estilo cantando sua cantora e autora alma gêmea, ela que fez músicas e viveu na própria pele a dor de ser intensa,  de ser louca e artista ao pé da letra,  a diva Ângela Ro Ro. Parceria perfeita de voz e canções. Que dupla boa! Não tenho dúvidas que será um momento inesquecível, para comemorar uma carreira memorável e fundamental, uma artista lindo,  uma pessoa de coração avantajado que só o tempo e a história nos darão clareza da sua importância.  Moisés, o verdadeiro escândalo é você!
Com amor, admiração e toda gratidão do mundo.
Patricia Mellodi

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Sem emoção!







Faça tudo que quiser
Só não me deixe sem emoção
bata na porta, rasgue a camisa
quebre esta mesa, tire os sapatos
fique em silencio, ou cante bem alto
mas não me deixe parar de sentir.

Fale tudo que quiser
só não me deixe sem emoção
fume um cigarro, beba todas
ande pelado na chuva
durma na calçada no meio da rua.
Mas não me deixe parar de sentir.

Venha sempre que vier
Seja sempre o que quiser
Não me importa se vão falar
se vou sorrir ou se vou chorar
Não vou ajoelhar, não vou implorar
mas voce sabe que não vou viver sem emoção.

Não vou pedir, eu não vou falar
voce pode até sair, eu não te peço pra voltar
Se quiseres , podes ir
mas eu não vou mentir
A última coisa que te peço é que voce não pare
Não pare nunca pois a última coisa que eu quero
é não sentir mais  emoção!


Mocha.
fim de tarde, junho 2014




domingo, 15 de maio de 2016

A LINGUAGEM DA CACIMBA






A LINGUAGEM DA CACIMBA.
Hoje pela manhã, dia de domingo, é tradição comprar carne aqui na região da cacimba velha, seja carne de gado, porco, carneiro ou mesmo frango ou galinha caipira, tudo abatido na hora e vendido pelos comerciantes locais; alguns mantém a tradição há muitos anos, outros acabaram de abrir seus comércios muito recentemente e já conquistaram fregueses através de preços melhores e uma boa dose de prosa, ou conversa como aqui se diz. Quando fui pagar a conta do mês , percebi que nossa fornecedora/proseira/conhecida havia colocado uma motinha para fazer serviço de entrega, numa clara demostração de crescimento de seu negócio, e eu perguntei a ela se agora ela possuia "delivery" , ela com um sorriso natural me pergunta se estava chingando ela - " Tá me chingando, professor?" , eu então lhe disse que não e que havia perguntado se ela agora fazia entrega na casa dos fregueses, ela mais sorridente ainda, - como é mesmo que o senhor disse, - "deliveo, delirio!" o senhor quer saber se agora eu" mando deixar nas casas", kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk, - eu mando deixar, o Fransquim , o Chiquim vai deixar nas casas prumode do senhor não carregar peso por conta de sua coluna, pra num ficar intrevada! Rimos então os dois, como convém a dois velhos conhecidos, finalizamos nosso negócio, paguei-lhe o que lhe devia,e ela perguntou se não desejava levar mais alguma coisa pra pagar depois , num gesto de confiança , sem precisar de nota promissória ou avalista, coisas do interior que não se perdem, como o velho acerto da palavras......Palavra que se dá , é palavra que se cumpre! Olhei ainda para trás quando me despedi e ela estava lá, atrás de seu balcão, uma trabalhadora brasileira, batalhadora de fibra, ah antes que eu esqueça, ela foi assaltada e ameaçada pelos bandidos, assim como outros comerciantes aqui da região, o último a ser assaltado, anda nervoso, pois os bandidos que assaltaram seu comércio disseram que ele devia dar graças a Deus , pois eles poderiam matar que as leis protegiam eles e eles voltariam mais vezes , quantas vezes quisessem, pois assalto era o negócio deles. Coisa boa quando a palavra ainda vale alguma coisa, Delivery, delirio, eu andando de volta pra casa e pensando nas palavras.....crime e castigo! Delirios de um ser nas estradas da cacimba velha! Num tem? Ah, - enquanto escrevo, a buzina da moto toca, deixa eu ir atender o fransquim , que veio deixar as encomenda na porta de casa! coisas do interior......

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Sem pressa





Quero ficar em teu abraço
por mais  tempo
Deixa que amanheça sem pressa
Quero ser tua presa
ser aquele que não precisa de amarras.

O dia pode passar lento
sem barulho de relógio
sem roupa, sem suor
o silencio que fica no calor de nossos corpos.

Não , não vá
fica apenas por mais alguns momentos.
Não , não vá
Deixa que a lua que nos protege, ilumine
a saída de teus passos
Assim eu sei que fui ao céu.
De volta as sombras que é o amor de dois amantes.


Mocha 

quarta-feira, 4 de maio de 2016

MILAGRE DA MÃO



Milagre da mão



Gosto das coisas pequenasque dilatam e crescem ao toque da mão.Como quem engrossa a massacomo quem faz nascer o pão.



Mocha. a culpa é de maio.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Manhãs de maio





Mansa acorda as manhãs de maio
o sol que demora , o vento esperando lá fora
a casa se aquece com as janelas fechadas.

Esperança acorda as manhãs de maio
uma promessa que vem com assovio
sair debaixo da cobertas com aquela promessa de  frio.

Cheia de manhas desperta as manhãs de maio
chinelos se arrastam nos corredores da casa
as folhas que caem depois que passa o verão.

Diferentes são nossas manhãs de maio
papagaios que voam no céu muito claro
Um fio que segura e escorre pelos dedos das mãos.

Mocha
manhã de maio sitio Santa Rosa

quinta-feira, 31 de março de 2016

A TORMENTA





Vejo dias negros nos céus de Brasilia
O mar de lama desce a rampa
e os ratos abandonam a nau.

Já não existem tapetes nos palácios
a sujeira já não cabe em si e escorre 
pelas mãos, as canetas que se perderam em meio as tintas.

Pedala, acelera, e entra numa via sem retorno
só se fala em suborno , já não se escondem as máscaras
Quem puxará a corda do alçapão?
As cortinas já não cobrem as janelas 
O rei está nu? O que falta em meio as mãos? 

Já não conseguem  segurar o leme do navio
Quem é na verdade o comandante? 
O  assistente? O/A Presidente?

e o povo nas ruas,  antes sem dentes
agora permitem que lhes tirem as dentaduras.


Mocha
fim de março de 3014. 
dando o golpe do poema.