quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

MEU VIZINHO É UM CAVALO


para Dora Parentes





Meu vizinho é um cavalo, 
ele vive depois da cerca do lado esquerdo.
Ele é todo vestido de Branco e me acompanha  desde a manhã
até quando o sol se põe.

Hoje ele me olhou muito cedo
enquanto eu alimentava meus cachorros, 
quando de repente eu caminhei pelo meu lado da cerca e ele me seguia pelo lado dele como se nos adestrássemos  um ao outro.
Seríamos um espelho, como convém a dois poetas.

Os cachorros riam de nós dois
como se entendessem a nossa tentativa de iniciar uma conversa.

Meu vizinho é um cavalo  e eu  admiro a sua elegância no silêncio. Ele fica lá em sua rotina  e não liga pra ninguém, cavalga quando está feliz e anda de cabeça baixa, esmorecido pelo calor quando finda o dia.

Ah, se todos os vizinhos fossem como aquele cavalo!



Mocha
manha de dezembro.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Calor sem sede.



Eu fico pensando , era um rio doce
que vinha de minas e corria pro mar.
No calor da tarde quero um copo dágua
uma imagem plena de cidade pequena ,
 mas não existe bela que resista a esse meu querer.
Vejo tudo parado e sinto somente  que o tempo pára 
durante esta imagem de uma  falsa estação.

Não existe pecado pra quem mora ao lado
e na tarde que espero seja pouco fresca, 
esse fogo tão louco , que só nos resta  encerar a siesta.
Uma brisa tão brasa que afeta o nosso juízo, e nada fazer
seja talvez o maior de todos os castigos.

Não há sessão de cinema 
talvez um picolé ou pote de qualquer sorvete
na ilusão de afugentar esse vento tão quente.

Sem oriente em nosso ocidente
tropeçar nos trópicos sem nem mesmo levantar da rede.
só mesmo a água de uma mar de lama que nos oferecem pra matar a sede.

Mocha
belo poema  da tarde quente.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Não Adianta.




Ficas horas no espelho de tua alma
sem que nada , nem o claro se revele
Brincas com todos e com todas e em nenhum momento
se permite entrar em  jogo sério.

Fazes o que queres pois não tens nenhum desejo
perde-se sempre em labirintos que provocas
e mesmo se enreda em mentirosas e cruas  histórias.

Esse riso fácil que escancaras em coloridos flashs
nada revelas pois tudo e muito  tens a te perder
Pensa sempre que o jogo está ganho pro teu lado
Que lado é esse que te guarda a tua sombra?

Corra pra luz e escolha um bom caminho
onde uma boa mão há de segurar então a tua.
Se mostra tanto que abusou de tuas curvas
quando o melhor é poder ver-te  a alma nua.

Mocha
manha de novembro
sitio santa rosa.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

FURTA COR




Quem se importa com a cor do outro
ele pode ser de qualquer matiz.
Onde imaginamos a ausência
ali existe a mesma essência , a mesma raiz.

Somos feitos a nossa imagem e semelhança.
Não somos aparentes, somos da mesma parecença
frutos da mesma ciência.
Somos filhos da mãe natureza 
e o nosso pai é o senhor de todas as coisas.

Somos o espelho do mundo 
e nos refletimos em cada ser
Então, que reflexo voce é?
Sua arrogância e prepotência de nada valem
pois a terra que te cabe é a mesma que cabe a todos nós.

O mundo gira e voce fica parado em seu enredo 
cheio de medo e preconceito.
Seja uma tela e se revele
pinte  sua vida de todas as cores
cores alegres e cores tristes

só não permita que se passe em branco.


Mocha
pça do Liceu, manha de sol em pleno novembro

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Nunca mais postei nada,  desde junho de 2015 que estou sem notbook e confesso que não tava tendo saco de entrar numa lan house  e ficar horas em um terminal sendo observado pelos colegas de cabine ao lado. Mas hoje pela manha enquanto vinha pela estrada da cacimba velha em direção a Teresina fiquei pensando em amor e geografia....e deu nisso



Caminhos do teu corpo

Na quarta curva de teu corpo
encontrei o meu caminho
Percebi que em teu relevo eu me elevo
e levito entre teus montes pra alcançar o nosso cume.

Entre cavalgar e ser tão manso
nós ficamos em nosso Rio
Quando bebo em tua fonte
alimento o nosso ninho.

Na despedida da manhã
nos perdemos novamente
até que chegue o teu retorno
pois tua marca é para sempre.

Nosso novelo que espalhamos pela estrada
eles se cruzam e permanecem em pergaminho.


Mocha
manha de novembro no sitio da cacimba velha.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Denise, como assim?

                




                Já faz tanto tempo que não te vejo, e voce nunca deixou de ser importante pra mim e ontem a tarde soube de sua partida tão inesperada, tão abrupta e fiquei em silêncio no sofá da escola, as coisas continuavam acontecendo ali ao meu lado e eu fiquei parado, pensando, lágrimas corriam silenciosamente dos meus olhos e tudo continuava girando ali e girava cada vez mais veloz e eu parado ali e veio todas as lembranças possiveis de tudo que passamos juntos, veio a memória a loteria de seu pai que ficava ao lado do teatro 4 de setembro, quando nos conhecemos e de nossas conversas, nossos encontros no Nós e Elis, do pau de xexéu que ficava do lado, do banco da praça onde tantas vezes varamos a madrugada enquanto nosso bar esperança fechava suas portas....tanta coisa , tantas risadas....e agora nunca mais seu riso solto, sua alegria, seu abraço, suas cobrices, sua diversão, suas histórias....e que histórias..Quem seria capaz de usar  a certidão de nascimento como papel higiênico por ser naquele momento o unico papel disponivel?, Quem seria capaz de ser presa no meio da festa e voltar meia hora depois na mesma viatura que havia te levado por engano? Quem irá fazer nossa alegrias com histórias tão bobas, mas tão gigantes, tão divertidas....então como assim que voce se foi? Como Assim?...e agora foi para sempre, desde que voce deixou Teresina e se mandou pra João Pessoa....já faz tanto tempo, e quando nos encontramos anos depois ai na Paraíba, parecia que o tempo não tinha passado e ainda bem que pude estar perto de voce e te abraçar...foi tão divertido, tão emocionante...ainda guardo aquele postal que voce me enviou e eu guardei na minha velha caixa de proteger memórias...e de vez em quando eu pego e vejo , e rio sozinho.
Mas sua morte me deu um susto, embora saiba que tudo tem um fim e nunca nos preparamos pra quando chega  a nossa derradeira hora, nunca temos tempo pro tempo do outro que se acaba, temos o nosso próprio tempo, o tempo de não deixar que laços tão fortes e ao mesmo tempo tão fragéis se quebrem, por que por mais que não estejamos perto, não nos vermos todos os dias...tem pessoas que ficam pra vida toda, não importa quanto tempo elas tenham ficado perto de nós, importa sim o que fizemos juntos, e juntos sorrimos e choramos, nos divertimos, bebemos, conversamos as vezes seriamente, as vezes era só conversa jogada fora mesmo , só pelo prazer de estarmos juntos mesmo no silencio....vou sentir falta de seu riso, marca registrada que antecipava seu bordão " Como Assim?"....agora entendo que voce era muito grande para Teresina, a cidade já não te cabia e voce voou em busca de ser melhor do que já era....Vou sentir agora mais saudades , mas também vou ficar feliz por que voce encheu nossas noites de alegria e todas as lembranças suas são extremamente positivas pois sei que com voce não tinha tempo ruim, sua alegria era um assombro e como todo assombro voce foi passageiro. Ainda bem que voce existiu e existará pra sempre em nossas memórias e em nossos corações...Valeu Denise! e voce de onde estiver irá perguntar :"- Como Assim?"    

Mocha.
tarde dequente de segunda em Teresina.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Meninas de Castelo




No castelo do sertão já não existe infância
os lobos peregrinam livremente e a vovozinha, 
aquela velha senhora idosa ainda manda no curral.

As meninas foram brincar de Cinderela no alto do castelo
 as pequenas cidadãs viraram brinquedos nas mãos dos cães, 
mandíbulas agourentas que lhe sugaram o sangue virgem.

Quem lhes chora agora em pleno despenhadeiro?
Quantas mais serão jogadas pela estrada a fora?
Quantos lhes defloram a infancia?
Quem manda no castelo e nos palácios?

Os sinos não dobram pelas meninas.
Sininhos nas mãos dos serviçãis que nos roubam 
com  a luva branca , verde e amarela da impunidade.

Nesse país onde só existe saudade.....
das meninas que se foram!
do futuro em que sangramos!
do enterro de um passado que resiste!
de nossa sina tão triste....

Noticias que embalam nosso dia a dia 
essa jornada da infância , tantas jornadas bruscamente interrompidas.
Onde nada faz sentido, onde se perde a noção
do que é errado, do que é certo....
O que será de nossas vidas?


Mocha
domingo de junho em uma ponta do castelo.